MAS..., COMO É QUE EU FALO COM ELE ?????

Este artigo pretende responder a primeira e dizer que pouco importa as várias respostas que a segunda pergunta possa ter: Perda auditiva profunda, autismo, deficiência mental, Paralisia Cerebral, Síndrome de Down, atraso na aquisição ou desenvolvimento da linguagem, afasia (perda ou distúrbio da linguagem falada após acidente vascular cerebral) entre outros.
A forma de falar com estas pessoas é simplesmente a mesma que se fala com qualquer outra, pois elas tem um distúrbio de comunicação, Você não! Logo você deve ser o melhor comunicador que puder ou seja falar o mais claramente e ouvir ou ver o mais sinceramente possível. Pois a comunicação vai muito além das palavras: ela se faz por gestos, ruídos, expressões faciais ou com o próprio silêncio.
As palavras sinceras e cordiais dirigidas ao indivíduo incapacitado de usar o canal da fala podem ter o efeito semelhante ao de receber flores sem estar esperando. Palavras também podem ferir como pedras: como você se sentiria se de repente passassem a falar de você como se não estivesse presente? Se reclamassem de seu comportamento, estado ou limitação para os outros, mas nunca conversassem a respeito com você mesmo?
Na surdez profunda o indivíduo adquire a capacidade de ler os lábios do falante e principalmente suas expressões faciais, logo, se puder enfatisá-las isto o ajudará. Porém, não é necessário gritar ao falar com o deficiente auditivo mas sim caprichar na articulação das palavras.
Em alguns tipos de Afasia a compreensão da linguagem pode estar comprometida (depende da área cerebral lesada) e será necessário a ajuda de um profissional para avaliar o grau deste comprometimento, e fazer adaptações na forma ou recurso de comunicação com o paciente. Nas Afasias em que apenas a expressão está comprometida devemos continuar falando com o paciente da mesma forma que falávamos antes do AVC. Não usar uma fala infantilizada nem falar da sua condição com terceiros como se ele não estivesse presente.
Com Autistas, síndrome de Donw, Deficiências mentais ou físicas como a Paralisia Cerebral “você deve ser o mesmo comunicador que é com as demais pessoas”. A resposta pode não ser a que você deseja ou espera, mas com toda a certeza será a que a pessoa pode lhe dar naquele momento.
No autismo há limitações variadas da compreensão de metáforas; mas não vamos excluir as mesmas da comunicação com o indivíduo autista, pois ele viverá num mundo repleto de metáforas. Ele deve caminhar na direção de uma comunicação o mais efetiva possível com “o mundo”, uma vez que “o mundo” não fará o contrário!
Se você é pai, mãe, familiar, vizinho, ou conhecido de alguém “especial” que tem uma dificuldade ou limitação de fala, não confunda isto com ausência da capacidade de se comunicar. E saiba que suas palavras podem ter o efeito de um bouquet de rosas naturais, de flores de plástico ou até de pedras, depende da energia e verdade que elas carregam.
Neste aspecto, todos nós podemos ser melhores comunicadores!
CRISTINA SANTANA.






